Blocos de concreto fechavam a rua no final da qual a embaixada israelense estava localizada. Policiais da Segurança Geral montavam guarda na calçada. Dois homens de terno estavam sentados em cadeiras de plástico, com rádios VHF nos quadris e metralhadoras penduradas nos ombros. Avistei um garoto saindo de um prédio vizinho.
— Ei, irmão, pode me ajudar?
— Qual é o problema, irmão?
— Não estou me sentindo bem, preciso ir ao banheiro.
Me olhou com desconfiança.
— Você trabalha na embaixada?
— Não, graças a Deus! Não tenho nada a ver com essas pessoas, sou suíço.
Sorriu.
— Suíça, terra de paz. Ahlan wa sahlan (bem-vindo)!
O segui até o segundo andar. Entrou e o ouvi conversando com uma mulher, provavelmente sua mãe. Reapareceu e me chamou para entrar. Tirei meus sapatos e o segui. O rapaz me deu chinelos e me tranquei no banheiro. Fiquei lá por um tempo para salvar as aparências.
— Você está bem? me perguntou quando saí.
— Hum, estou me sentindo um pouco cansado. Acho que estou doente. Posso descansar um pouco?
— Il beet beetak (a casa é sua).
Me levou até a sala de estar. Era um cômodo pequeno com um tapete surrado no chão e poltronas em três lados em um estilo que lembrava os móveis franceses do século XIX. Imagens sagradas estavam penduradas na parede. Meus anfitriões eram coptas. Sentei-me perto da janela. Dava para a rua. Era exatamente o que precisava.