“Quem nesta sala sabe o nome do Presidente da Suíça?
Essa foi a pergunta que fiz a um grupo de cerca de trezentos expatriados da região de Genebra, no início de uma conferência intitulada “Swiss politics for dummies” (Política suíça para leigos), em junho de 2009. Cerca de 10 a 15% deles levantaram a mão. Mais ou menos o que eu esperava. Não foi um resultado ruim: eram pessoas com uma certa curiosidade sobre o sistema político suíço. O suficiente, pelo menos, para sacrificar uma noite inteira para uma apresentação sobre o assunto. Com outro público, o resultado poderia ter sido muito pior.
Não os culpo. Todos aqueles olhares confusos após aquela simples pergunta me fizeram lembrar de uma viagem no metrô do Cairo, alguns anos antes. Eram os últimos anos da gestão de Hosni Mubarak. A foto do presidente estava em toda parte, seu nome na primeira página de todos os jornais e uma das duas maiores estações de metrô da capital tinha seu nome (a outra tinha o nome de seu antecessor, Sadat).
Estávamos em janeiro e um amigo egípcio me perguntou: “A propósito, quem é o presidente suíço?” Fiquei surpreso. Eu era um cidadão suíço, um jornalista que escrevia regularmente sobre a política suíça. Sabia o nome de cada membro do governo, seu departamento (ou seja, ministério), seu partido político, seu cantão (estado), parte de seu programa político… e, no entanto, não tinha certeza de quem era o presidente. Era este aqui? Ou esse? Não, aquele… Meu amigo deve ter pensado que eu era um sonhador completamente fora de contato com a realidade.
Pode ser o caso, mas veremos no capítulo sobre coalizões que minha ignorância tinha circunstâncias atenuantes.”